domingo, setembro 26, 2010

que é feito de eu ter feito
o que fiz
que é certo de eu estar certa
ou feliz
se chega a noite azeda
e sem cheiros
que é feito dos sabores
verdadeiros?

tropeço nos meus tombos confusos
no fim dos dias gastos sem luz
que é feito do feitiço
postiço
em que feito sumiço
eu te pus?

se te basta lembrar um momento
se apenas te arrepias por dentro
então podes morrer toda a vida
acordares na manhã de seguida
que é feito sem perfeito
ou futuro?
que é que sentes quando o peito é
um muro?

que é feito do que é feito
de água
que gostas que te digam à noite
o sono que te espera é um grito
a descer devagar ao silêncio
a dar-te o tão real de ser mito.

se me prometes beijos sem preço
pra que eu pague em saliva e em dor
promete que me agarras as garras
pergunta se eu enfim te mereço

eu dou-te cada frase em resposta
numa sem-voz aflita nas veias…
que é feito do teu corpo à mostra? –
quando eu a mergulhar-te
no meu corpo de arte
e doideiras.

2 comentários:

Diogo Santos disse...

Gostei :)

francisca augusto disse...

Muito obrigada pela atenção, Diogo. É bom saber que agrada :)