domingo, setembro 26, 2010

é no teu peito
que eu embarco
em barco
em carne.
é só no teu peito
que consigo morrer
renascer
salvar-me.
é lá que a hora se faz dia
se faz noite
e se faz água.
um quadro assinado
borratado
o teu peito no meu peito
assim sujeito
assim colado.
de que importa
a porta
não estar fechada?
por quem vela
a vela
se está apagada?
quem seremos nós
em grito
em fome
em dor suculenta
desta entrada lenta
que em mim se some?
é só no teu peito
que eu me perpeituo
que eu deslizo e suo
que eu te olho aflita
que eu te ard’ e abuso
te dou outro uso
é no peito mato
que eu quase te mato
é no peito bosque
que queres que eu te doa
que queres que eu
me enrosque
e é lá que eu vivo
me acordo
e deito –
não tenho mais nada
a não ser morada
rés do
chão
do peito.

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