sentada no silêncio
do meu quarto de espuma
ouvindo o nada ao longe
a esperar que eu durma
a confessar-me em gelo
do calor que não tenho
sem ter qualquer certeza
do lugar de onde venho.
e é na chuva –
nessa chuva de verão
nesse sim que é não
nessa leva que lava
o corpo o grito
e o chão
é nessa chuva...
a sós com um segredo
que me esfola os sentidos
dançando co’a loucura
dos meus sonos perdidos
não sei se há lá fora
alguma luz de ser dia
não sei se é castigo
ou se tenho o que queria.
e é na chuva –
nessa chuva de verão
nesse sim que é não
nessa leva que lava
o corpo o grito
e o chão
é nessa chuva...
no meu silêncio exacto
deste corpo sentado
só sinto o cheiro a chuva
a chover no molhado
e bebo cada gota
deste tempo esquecido
empresto um espaço à noite
que se senta comigo.
e é na chuva –
nessa chuva de verão
nesse sim que é não
nessa leva que lava
o corpo o grito
e o chão
é nessa chuva...
que eu molho o meu corpo
que relembro os segredos
que dissolvo os meus medos
e agarro a tua mão –
é nessa chuva...
é nessa chuva
de verão.
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