domingo, setembro 26, 2010

fruta verde
do meu corpo
fruta dura
sinto o corpo
molho o corpo
dou-lhe cama
dou-lhe fome
sente o meu corpo
molha o meu corpo
dou-te esta fruta
come

carne branca
do meu corpo
carne morna
que se adorna
do teu corpo
carne breve
carne pra sempre
carne fruta
corpo-montanha
corpo-gruta
quente

noite perdida
no meu corpo
noite chorada
noite sorrida
na fruta-carne
de me consolar
de castigar-me
no corpo-noite
da minha fruta
na fruta-carne
do meu corpo quente
tento
prudente
salvar-me –
mas volta tudo
à tristeza sem espanto
abro as cortinas
e já é de dia
e dói tanto.

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