domingo, setembro 26, 2010

o relógio não diz
o que te vai na alma
não diz – por exemplo
se te é breve o tempo
ou se tens toda a calma.
no prenúncio aceso
de uma qualquer manhã
interrompes um sono
e de um golo morno
da chávena do chá
perdeste o teu gesto.
resta um dia funesto
desta vida que é má.
tu julgas que amas
que o amor sempre existe
porque nunca partiste
na viagem cruel
de uma dor paralela.
o qu’é verdade ou não é
diz-to a tua fé
ou o que resta dela.
já que nem tudo é mal
nem mentira ou lamento
tu procuras lá dentro
só não sabes o quê.
mas se encontras magia
ou qualquer vibração
tu descobres então
que a verdade existia.
o relógio não diz
o que tu queres saber
o que tu perguntaste.
a tu’alma tem medo
o teu corpo é brinquedo
com que sempre brincaste.
tu só querias viver
um tempo que chegasse
pra saber os segredos
pra quebrar os rochedos –
na passagem de um tempo
que te abafe e te abrace
e que à má hora ofereça
uma porta de impasse
uma dor que a estremeça.

que te diz o relógio?
que é que tu perguntaste?
se é chegada essa hora
em que tens de ir embora –
ou será
qu’inda agora
chegaste?...

de que serve o amor?
já acreditas que amas?
não te chega uma vida
pra tu veres concedida
essa paz que tu chamas!

já fizeste a pergunta?
e ainda estás à espera?
se ninguém respondeu
a resposta sou eu
e a pergunta… qual era?

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