o poema não se explica
– explico-te –
não se abre em mesa como pão
não se calca ou passeia como chão.
o poema
– poemo-te –
é a comichão que sinto
a dor que não minto
que me rói os cabelos
é o som de sossegos
que querem rasgar-me cada entranha
e na poça do sangue e do fogo
gritar-me delicadamente
que o que nasce tem de esfolar-se
primeiro
parir com cada força
ou soprar tão em câmara-lenta
como quem quer beijar outra vez.
o poema
– confesso-te –
nem eu o sei fazer
e por tantas noites
em que a insónia se veste de inspiração
respondo eu de caneta na mão
a folha desfeita de tanto sofrer.
e leio-te
– o poema –
em forma de meus dedos
e com cheiro do meu sono.
Sem comentários:
Enviar um comentário