sinto a voz dos teus passos na noite dos meus
insone e desassossegada
procuro os teus passos
e mais nada
sinto na planície imensa e tensa
do meu corpo singular
o vento da tua boca
que o faz gemer e ondular
sinto
sinto que me espanto
sinto que levanto um manto-pele
que toda me borbulho
em êxtase primordial
corpo de relíquia
de mural
esta noite és longe e és de vento
esta eu sou lume pó por dentro
sinto-te a subir em mim
pecado
eu a florescer-me sem saber-me
do meu estado
sinto o teu hálito líquido
na noite dos meus passos sozinhos
e durmo corpo em planície
matéria desagregada
bebo-te vento
por mim adentro
no meu cheiro de noite assim quebrada
e sinto os teus passos passageiros
a rondar o meu morto
planicorpo
na noite calada dos meus cheiros.
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