domingo, setembro 26, 2010

mais a sede que poemas
mais a saliva de tos dizer
que a tinta que os escreve
mais eu corpo neve e fogo
meu sussurro
sal e outono
perder-me eu aqui
cega e sedenta
de tanto ceder
bruxa
confusa
raio de sombra
perder-me eu em ti
sede
perder-me de amores
perder-me de poemas
pedras e pratas
sossega-me a sede
e escreve-me de versos saltos
soltos insultos
raio eu sem luz
sombra a perder-me
sede
que sede
que sede esta mais que poemas
perder-me eu aqui
de sedes e de poemas
porque mais que eu aqui
à fome
é a sede santa a soltar-se
e a morrer
profana
em lábios rimados.

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