domingo, setembro 26, 2010

enquanto lá fora
chovem cabeleiras de papel –
cá dentro do meu quarto
da minha boca
os éles lamentosos
e lubrificados
levantam-me a língua
elevam-me à lua
iluminam ilusões
de loucura –
e eu
ponho um braço de fora
da janela
para agarrar as cabeleiras
de papel
e com elas calar
o impulso
de cada mal
de cada él…
e sento-me em
suspenso
em suspense
suspeitando –
que é vaga a vida em volta
e se há volta…
eu não
sei quando.

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