seguro-te nos meus braços
quando se ergue em nós
a tristeza.
quando a eclíptica dor
das nossas veias
nos traz à paz
dos nossos corpos
um doloroso momento
um oceânico silêncio.
só há luz
no cheiro dos meus seios
nada mais.
e tu e eu somos ninguém –
um ninguém
muito grande
e
muito triste –
que à noite de um olhar
se ergue aflito…
porque apenas um longo e lento
beijo
nos pode salvar.
terça-feira, março 31, 2009
domingo, março 29, 2009
à espreita
há mais uma razão de mim
à espreita
há mais razões de nós nos habitarmos
em pleno salto
a sangue-frio
a poupar palavras
e a cansar os braços.
espreito à espreita
de mim
a encontrar todas as razões
que apenas existem para justificar.
eu espreito o meu corpo
o teu
os ramos das árvores
para que qualquer céu se pinte mar
e escorra água
e algas
e sede.
sobrevivo a espreitar em nós a vida
e as razões
e os plenos saltos
para que em plena praia
da nossa existência
perfeita –
nos amemos…
e continuemos
à espreita.
há mais uma razão de mim
à espreita
há mais razões de nós nos habitarmos
em pleno salto
a sangue-frio
a poupar palavras
e a cansar os braços.
espreito à espreita
de mim
a encontrar todas as razões
que apenas existem para justificar.
eu espreito o meu corpo
o teu
os ramos das árvores
para que qualquer céu se pinte mar
e escorra água
e algas
e sede.
sobrevivo a espreitar em nós a vida
e as razões
e os plenos saltos
para que em plena praia
da nossa existência
perfeita –
nos amemos…
e continuemos
à espreita.
que é feito de eu ter feito
o que fiz
que é certo de eu estar certa
ou feliz
se chega a noite azeda
e sem cheiros
que é feito dos sabores
verdadeiros?
tropeço nos meus tombos confusos
no fim dos dias gastos sem luz
que é feito do feitiço
postiço
em que feito sumiço
eu te pus?
se te basta lembrar um momento
se apenas te arrepias por dentro
então podes morrer toda a vida
acordares na manhã de seguida
que é feito sem perfeito
ou futuro?
que é que sentes quando o peito é
um muro?
que é feito do que é feito
de água
que gostas que te digam à noite
o sono que te espera é um grito
a descer devagar ao silêncio
a dar-te o tão real de ser mito.
se me prometes beijos sem preço
pra que eu pague em saliva e em dor
promete que me agarras as garras
pergunta se eu enfim te mereço
eu dou-te cada frase em resposta
numa sem-voz aflita nas veias…
que é feito do teu corpo à mostra? –
quando eu a mergulhar-te
no meu corpo de arte
e doideiras.
o que fiz
que é certo de eu estar certa
ou feliz
se chega a noite azeda
e sem cheiros
que é feito dos sabores
verdadeiros?
tropeço nos meus tombos confusos
no fim dos dias gastos sem luz
que é feito do feitiço
postiço
em que feito sumiço
eu te pus?
se te basta lembrar um momento
se apenas te arrepias por dentro
então podes morrer toda a vida
acordares na manhã de seguida
que é feito sem perfeito
ou futuro?
que é que sentes quando o peito é
um muro?
que é feito do que é feito
de água
que gostas que te digam à noite
o sono que te espera é um grito
a descer devagar ao silêncio
a dar-te o tão real de ser mito.
se me prometes beijos sem preço
pra que eu pague em saliva e em dor
promete que me agarras as garras
pergunta se eu enfim te mereço
eu dou-te cada frase em resposta
numa sem-voz aflita nas veias…
que é feito do teu corpo à mostra? –
quando eu a mergulhar-te
no meu corpo de arte
e doideiras.
pego na voz do teu primeiro verso
e ouço-o no disco riscado dos meus dias
toco-te na carne
metáfora de qualquer estrofe
e dispo-te das figuras de estilo
sem estilo.
exploro o mais complicado artifício
ou rima irregular
e é sem eufemismos
que te sujeito a desconstruções
e a descontracções.
é no livro desta cama que te vou
folhear
cheirar
revisitar.
é à tua pessoa e número e género
que sublinho os temas anafóricos
e alitero sem parar
os sons mais orais sem comparação.
o que à primeira vista parece poesia simples
é afinal uma antologia erótica
de prazeres morfológicos
e de ritmo.
pego agora em todos os teus versos
amor
e declamo-os junto à minha pele
desacertando ainda mais as métricas assimétricas
até que o livro se feche
e a chave de ouro nos traga o sono.
e ouço-o no disco riscado dos meus dias
toco-te na carne
metáfora de qualquer estrofe
e dispo-te das figuras de estilo
sem estilo.
exploro o mais complicado artifício
ou rima irregular
e é sem eufemismos
que te sujeito a desconstruções
e a descontracções.
é no livro desta cama que te vou
folhear
cheirar
revisitar.
é à tua pessoa e número e género
que sublinho os temas anafóricos
e alitero sem parar
os sons mais orais sem comparação.
o que à primeira vista parece poesia simples
é afinal uma antologia erótica
de prazeres morfológicos
e de ritmo.
pego agora em todos os teus versos
amor
e declamo-os junto à minha pele
desacertando ainda mais as métricas assimétricas
até que o livro se feche
e a chave de ouro nos traga o sono.
ao meu pai......
os teus olhos salgados da manhã
são o céu que se transformou
à minha volta.
depois da terra pesada
que se abateu por entre nós
resta-me
pensar que a vida
é toda esta morte sem sorte
que o grito
é este tom abafado
que nos faz explodir as gargantas
e que os sítios onde estás
são todos os sítios onde estou.
cada manhã salva sempre
cada outra noite de fome
de silêncio azedo
e de sorrisos lembrados
que se evaporam como espuma
triste.
salvo-me em cada manhã
depois de cada escuro
me tirar as forças
e sorrio.
um sorriso tão terrível
que me faz tremer
e ter frio e fome e cansaço.
um dia eu vou acordar inteira
tão mais longe de ti quanto perto
e não haverá cheiros de terra
nem sorrisos terríveis
nem céus salgados de frio.
apenas um calor
a soluçar baixinho –
cada vez mais baixinho –
e talvez eu consiga perceber
que os castigos
afinal
são salvações.
quando eu conseguir passar
em todos os sítios
e olhar todas as coisas
sem perder as forças,
é porque finalmente
a terra assentou de vez.
e o brilho salgado da manhã
é o teu calor
em mim.
os teus olhos salgados da manhã
são o céu que se transformou
à minha volta.
depois da terra pesada
que se abateu por entre nós
resta-me
pensar que a vida
é toda esta morte sem sorte
que o grito
é este tom abafado
que nos faz explodir as gargantas
e que os sítios onde estás
são todos os sítios onde estou.
cada manhã salva sempre
cada outra noite de fome
de silêncio azedo
e de sorrisos lembrados
que se evaporam como espuma
triste.
salvo-me em cada manhã
depois de cada escuro
me tirar as forças
e sorrio.
um sorriso tão terrível
que me faz tremer
e ter frio e fome e cansaço.
um dia eu vou acordar inteira
tão mais longe de ti quanto perto
e não haverá cheiros de terra
nem sorrisos terríveis
nem céus salgados de frio.
apenas um calor
a soluçar baixinho –
cada vez mais baixinho –
e talvez eu consiga perceber
que os castigos
afinal
são salvações.
quando eu conseguir passar
em todos os sítios
e olhar todas as coisas
sem perder as forças,
é porque finalmente
a terra assentou de vez.
e o brilho salgado da manhã
é o teu calor
em mim.
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