domingo, março 29, 2009

pego na voz do teu primeiro verso
e ouço-o no disco riscado dos meus dias
toco-te na carne
metáfora de qualquer estrofe
e dispo-te das figuras de estilo
sem estilo.
exploro o mais complicado artifício
ou rima irregular
e é sem eufemismos
que te sujeito a desconstruções
e a descontracções.
é no livro desta cama que te vou
folhear
cheirar
revisitar.
é à tua pessoa e número e género
que sublinho os temas anafóricos
e alitero sem parar
os sons mais orais sem comparação.
o que à primeira vista parece poesia simples
é afinal uma antologia erótica
de prazeres morfológicos
e de ritmo.
pego agora em todos os teus versos
amor
e declamo-os junto à minha pele
desacertando ainda mais as métricas assimétricas
até que o livro se feche
e a chave de ouro nos traga o sono.

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