por que te gelas suave corpo
meu
em cada noite
dos dias de minhas forças
esforçadas
menos sangue teu circula
ondula
escorrega nas veias azuladas
sirvo-me a luz triste
dos versos candeeiros de minha
ficção
e fico a rebolar-me
contorcendo o corpo
no chão
por que te vais suave voz
alma sem cor
por que te dizes poema
debaixo de lema de dor
à noite todas as casas
desaparecem
escondes-te tu suave deusa
em caixas vazias enroscada
doente expoente
de cristais de pó e
de nada
por que te matas
suave duro corpo
por que morres
assim chovido
na estrada...
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