não percebo o adeus
de toda e qualquer coisa
que eu não queria que se fosse.
não percebo de perceber-me –
inteira
intensa
deusa e pobre
nos meus olhos
nos meus pés.
não sei o que sou
o que és
o que podemos fazer
para não dizer
adeus às coisas
às palavras
às verdades.
não percebo de perceber-te,
amor –
quando vais quando vens
quando me apagas
quando me tens.
não percebo de nós
no choro
no lago imenso das nossas luas
no medo
no calor triste
dos ventos
das ruas.
não percebo o mundo
parte nenhuma
gente
animal
objecto
penteio-me nas mãos
caminho no tecto.
que me dizes da minha vida,
amor?
a que te sabe sentir-me
a que te sabe saber-me?
a que se deve existir-me
gritar
morder-me..?
guardo em caixinhas
as tuas palavras
e as minhas.
adormeço nos teus braços
quando tenho medo
de me perder.
colo-me à tua pele
só respiro o que respiras
e em ti descanso…
quando não percebo
de perceber.
2 comentários:
Óla! Francisca. Foi com muito gosto e humildade que ao fim de tantos anos li pela primeira vez, certo alguns dos teus intensos poemas, acho-os extremamente sensiveis ao ponto de põr os meus olhos em lago. (Sem falsidades) estou longe da tua cultura e magia poética. Para mim é certo que para chegar a esta tua capacidade é preciso ser sonhadora, apaixonada e espiritual como dizes. Estas e as outras virtudes penso que estão nas tuas veias, mas tenho o direito de estar em desacordo contigo quando dizes que és tenebrosa no sentido da palavra. Acho que és tudo menos isso como demonstra este teu meigo e ardente poema. (nao percebo o adeus) continua a escrever, gostei imenso de ler alguns dos teus poemas, e espiritualmente será uma maneira de estar em contacto contigo. Augusto... Consigo ver na tua cara desta fotografia que estás bem amada. Vou dormir contente, beijinhos de Jorge e dos meus amores, manda por mim um abráço ao teu amor. Nada de Comfu...
Obrigada pelas palavras, Jorge.
Tenebrosa talvez num sentido menos negativo e mais grandioso :P
É bom causar este tipo de emoções nos leitores.
E eu não escrevo melhor que ninguém. Escrevo.. à minha maneira :P
Abraço poético**
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