a poesia sonha-me
sonha comigo mulher
linda
mulher maravilhosa
sonha os meus seios
os meus braços
a poesia sonha
no meu umbigo –
nasceu, porque eu nasci
a poesia sou eu
está aqui –
toda eu sou um poema
confuso difuso gritado
no corpo tenho verbos
que não se esquecem
no ventre, um verso quente
molhado –
a poesia grita-me
em cada tempo
em cada lábio
eu sou poema de mim
eu digo
que não que sim
que quero
eu sou explosão
em boca de poema
de fonema, beijado
sincero –
a poesia sonha
lambe
cheira
o meu corpo uno
soturno oportuno
e à minha beira
ninguém mexe ninguém fala
ninguém dorme
eu sou um corpo-poema
inflamado morfema
que se inspira sem nome –
a poesia despe-me
sorve-me
e por fim
ao cair da noite eu sou
um rio
sou vulcão
glaciar –
de dia, nasço poesia –
à noite
alguém me vem
declamar.
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