quinta-feira, agosto 10, 2006





















nada te of’reço senão nuvens

cinzentas em força
graves no olhar.
eu ouço-te
estás na rua a chamar
por mim.
e cantas o meu nome
ao som de flores

nada te of’reço
envolvo-te cinzenta
e grave e fria
e estende-se uma chuva meiga
sobre as flores da tua voz

perdi-me no caminho
de me oferecer a ti
e o teu ramo tornou-se
cinzento
e frio
no meu corpo.
estás na rua

lavado pela meiguice da chuva

as árvores estão de costas
ouve-se o sincero silêncio
de um vento quente
e preguiçoso.
ouve-se o paralelo macio
a reclamar baixinho.

caminhas
devagar
com flores nos braços
e chuva na voz.
e eu
cinzenta e da janela
atiro-te palavras com as mãos
enrolada no meu próprio corpo

cheira a nuvens de terra
cheira a mim

nada mais te of’reço
amor da minha rua
dou-me toda a ti
às tuas flores

e não sou senão chuva cinzenta
em paralelo macio
do teu rosto.

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