
nada te of’reço senão nuvens
cinzentas em força
graves no olhar.
eu ouço-te
estás na rua a chamar
por mim.
e cantas o meu nome
ao som de flores
nada te of’reço
envolvo-te cinzenta
e grave e fria
e estende-se uma chuva meiga
sobre as flores da tua voz
perdi-me no caminho
de me oferecer a ti
e o teu ramo tornou-se
cinzento
e frio
no meu corpo.
estás na rua
lavado pela meiguice da chuva
as árvores estão de costas
ouve-se o sincero silêncio
de um vento quente
e preguiçoso.
ouve-se o paralelo macio
a reclamar baixinho.
caminhas
devagar
com flores nos braços
e chuva na voz.
e eu
cinzenta e da janela
atiro-te palavras com as mãos
enrolada no meu próprio corpo
cheira a nuvens de terra
cheira a mim
nada mais te of’reço
amor da minha rua
dou-me toda a ti
às tuas flores
e não sou senão chuva cinzenta
em paralelo macio
do teu rosto.
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